Como criar sua própria Skill no Claude Code (passo a passo)
Tutorial em pt-BR de como criar uma Skill no Claude Code: a pasta certa, o arquivo SKILL.md, o frontmatter e como o Claude decide usar sozinho. Do zero, com exemplo.

Se você já se pegou colando a mesma instrução gigante no Claude toda vez — "revisa meu commit assim, depois confere aquilo, no formato tal" — existe um jeito melhor. Chama-se Skill.
Uma Skill é uma pastinha com um arquivo de texto. Você escreve a instrução uma vez, e o Claude passa a usá-la sozinho sempre que a tarefa combinar. É a forma oficial da Anthropic de ensinar truques novos ao Claude — e dá pra criar a primeira em 10 minutos, sem programar.
Se você ainda não tem o Claude Code, começa pela instalação e depois volta aqui.
O que é uma Skill (sem complicar)
Pensa numa Skill como uma receita guardada. Em vez de explicar o passo a passo toda vez, você deixa a receita numa gaveta. Quando chega o momento certo, o Claude abre a gaveta, lê a receita e segue.
Tecnicamente, uma Skill é só uma pasta com um arquivo SKILL.md dentro. Esse arquivo tem duas partes:
- Um cabeçalho (o "frontmatter", entre
---) que diz quando usar a Skill. - As instruções em texto comum — o que o Claude deve fazer.
Só isso. Sem instalar biblioteca, sem código obrigatório.
Por que não usar o CLAUDE.md?
Boa pergunta — porque os dois parecem parecidos. A diferença é quando cada um carrega:
- O
CLAUDE.mdé lido inteiro, em toda conversa daquele projeto. Perfeito pra fatos curtos e fixos ("a stack é Next.js", "sempre use pnpm"). - A Skill só carrega quando é relevante. O resto do tempo ela fica quietinha, sem ocupar contexto.
A regra prática: quando um pedaço do seu CLAUDE.md deixa de ser um fato e vira um procedimento (uma checklist, um passo a passo), transforme em Skill. Aquele texto longo passa a custar quase nada até a hora em que você realmente precisa dele.
Se você ainda não sabe o que é o
CLAUDE.md, ele nasce do comando/init— explico no guia do Claude Code no terminal.
O segredo: disclosure progressivo
Aqui está a sacada de engenharia por trás das Skills (e por que elas escalam tão bem).
O Claude não lê todas as suas Skills o tempo todo. Ele funciona em três níveis, carregando informação só conforme precisa — a Anthropic chama isso de progressive disclosure:
- Descoberta — ao iniciar, o Claude lê só o nome e a
descriptionde cada Skill. É pouquíssimo texto: o suficiente pra ele saber que a Skill existe e quando ela serve. - Ativação — se a sua tarefa casa com a
description, aí sim ele lê oSKILL.mdinteiro. - Execução — ele segue as instruções e, se a Skill tiver arquivos ou scripts extras, carrega só os que a tarefa exigir.
Tradução: você pode ter dezenas de Skills instaladas sem deixar o Claude lento ou "entupido". Cada uma só pesa quando entra em campo. É como um manual com índice — ele lê o capítulo certo, não o livro todo.
Onde a Skill mora
Você escolhe o alcance pela pasta onde salva:
| Onde salvar | Vale para | Quando usar |
|---|---|---|
~/.claude/skills/<nome>/SKILL.md | Todos os seus projetos | Truques seus, do dia a dia |
.claude/skills/<nome>/SKILL.md (na raiz do projeto) | Só aquele projeto | Regras do time, versionadas no Git |
O nome da pasta vira o comando. A pasta resumir-mudancas vira /resumir-mudancas. Simples assim.
A Skill de projeto tem um charme extra: como ela fica dentro do repositório, você commita junto com o código. Todo mundo do time (e todo Claude que abrir o projeto) ganha a mesma Skill de graça.
Mão na massa: sua primeira Skill em 10 minutos
Vamos criar uma Skill que resume o que você mudou e aponta o que parece arriscado.
Passo 1 — Criar a pasta
No terminal:
mkdir -p ~/.claude/skills/resumir-mudancasPasso 2 — Escrever o SKILL.md
Crie o arquivo ~/.claude/skills/resumir-mudancas/SKILL.md com este conteúdo:
---
description: Resume as mudanças não commitadas e aponta o que parece arriscado. Use quando o usuário perguntar o que mudou, pedir uma mensagem de commit ou quiser revisar o diff.
---
## Mudanças atuais
Rode `git diff` e `git status` para ver o que mudou.
## Sua tarefa
1. Resuma as mudanças em até 5 bullets, em português claro.
2. Aponte qualquer coisa arriscada: segredo exposto, lógica
removida sem querer, TODO esquecido, teste quebrado.
3. No fim, ofereça uma mensagem de commit curta no formato
"tipo: descrição" (ex.: "fix: corrige cálculo do frete").Repare: o description diz o que faz E quando usar, com frases-gatilho ("perguntar o que mudou", "mensagem de commit"). É por esse campo que o Claude decide carregar a Skill sozinho — então capriche nele. Ele é o mais importante do arquivo todo.
Passo 3 — Usar (das duas formas)
Abra o Claude Code dentro de um projeto com mudanças pendentes.
Deixe o Claude decidir. Pergunte algo que case com a description:
o que eu mudei aqui?
O Claude reconhece o pedido, carrega a Skill na hora e segue o seu roteiro. Você nem digitou o comando.
Ou force na mão, quando quiser o procedimento exato:
/resumir-mudancas
Pronto — sua primeira Skill está no ar. E o melhor: o Claude Code observa a pasta de Skills ao vivo. Editou o SKILL.md? A mudança vale na mesma sessão, sem reiniciar.
Campos úteis do frontmatter
O description resolve 90% dos casos. Mas tem outros campos opcionais que ajudam:
name— nome de exibição na lista de Skills (por padrão, é o nome da pasta).disable-model-invocation: true— impede o Claude de carregar sozinho. Use pra Skills que você só quer disparar na mão com/nome. Ótimo pra fluxos perigosos, tipo um deploy.allowed-tools— lista de ferramentas que o Claude pode usar sem pedir permissão enquanto a Skill está ativa (ex.:Read Grep). Acelera Skills de leitura.argument-hint— dica de argumento que aparece no autocomplete, tipo[numero-da-issue].
Exemplo de uma Skill manual de deploy:
---
name: deploy
description: Faz o deploy da aplicação em produção
disable-model-invocation: true
---
Faça o deploy:
1. Rode a suíte de testes.
2. Se tudo passar, suba pra produção.
3. Avise o resultado.Com disable-model-invocation: true, o Claude nunca vai fazer deploy por conta própria — só quando você digitar /deploy. Segurança por design.
Indo além: pastas de apoio
Quando o SKILL.md começa a ficar grande, não precisa empilhar tudo num arquivo só. A convenção da Anthropic é separar:
minha-skill/
├── SKILL.md # instruções principais (curtas)
├── references/ # documentação detalhada, lida só quando precisa
├── scripts/ # código que o Claude pode executar
└── assets/ # modelos, exemplos, imagens
Mantenha o SKILL.md enxuto e aponte pros arquivos pesados em references/. Por causa do disclosure progressivo, esses arquivos extras só são lidos quando a tarefa específica exige — então você pode documentar à vontade sem medo de gastar contexto.
Por onde continuar
- O repositório oficial
anthropics/skillstem Skills de exemplo prontas pra estudar — inclusive umaskill-creatorque ajuda a montar as suas. - Cadastra teu email lá em cima: a gente manda um pacote de Skills prontas pra você colar direto em
~/.claude/skills/(code reviewer, otimizador de prompt, setup de MCP e mais). Dá pra ver a lista na página de Skills. - Quer aprender a pensar como a Anthropic na hora de escrever instrução? Vale ler sobre o jeito que eles desenham com o Claude.
A ideia central é essa: tudo que você repete pro Claude pode virar Skill. Escreva uma vez, e ele lembra pra sempre — carregando só na hora certa.
Fonte: documentação oficial da Anthropic, Extend Claude with skills e Equipping agents for the real world with Agent Skills. Os fatos (caminhos, campos do frontmatter e o conceito de disclosure progressivo) vêm de lá; a redação, os exemplos e o passo a passo são deste blog.
Perguntas frequentes
Onde fica a pasta das minhas Skills?
Skill pessoal (vale em todos os seus projetos): ~/.claude/skills/<nome-da-skill>/SKILL.md. Skill só de um projeto (vale só naquela pasta, e dá pra versionar no Git junto com o repositório): .claude/skills/<nome-da-skill>/SKILL.md na raiz do projeto. O nome da pasta vira o comando que você digita: a pasta 'resumir-mudancas' vira /resumir-mudancas.
Qual a diferença entre Skill e o CLAUDE.md?
O CLAUDE.md é lido inteiro em toda conversa daquele projeto — ótimo pra fatos curtos e fixos. A Skill só carrega quando é relevante para a tarefa. Por isso instrução longa e específica deve virar Skill: ela fica fora do caminho até o momento em que o Claude realmente precisa, sem gastar contexto à toa.
O Claude usa a Skill sozinho ou eu preciso chamar?
Os dois. Ele lê o campo description de cada Skill e decide sozinho quando carregar uma que combine com o que você pediu. E você sempre pode forçar digitando /nome-da-skill. Se quiser que ela só rode quando chamada na mão, adicione disable-model-invocation: true no frontmatter.
Preciso saber programar pra criar uma Skill?
Não. No mínimo, uma Skill é uma pasta com um arquivo de texto (SKILL.md) escrito em português comum, com as instruções que você repetiria pro Claude. Scripts e arquivos extras são opcionais, pra quem quiser ir além.
A Skill funciona só no Claude Code?
O formato SKILL.md segue o padrão aberto Agent Skills, então a mesma ideia roda em outros produtos do Claude (no claude.ai e via API). O Claude Code adiciona extras como controle de quem invoca e execução em subagente, mas o arquivo básico é o mesmo.
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